CÁLCULO DE NASCIMENTO
CÁLCULO DE NASCIMENTO
Instalação composta por pedra de cassiterita, carvão vegetal, wagi (pó de ultramarino), ferro, estanho, cerâmicas esmaltadas com óxido de estanho e tijolos
Comissionada pela Bienal da Tailândia, Phuket
2025
Cálculo de Nascimento explora o surgimento do metal — o estanho — por meio da interação química entre o minério de cassiterita e o carvão vegetal durante o processo de fundição. Aqui, o carvão vegetal serve especificamente como uma ferramenta de transição — um filtro e um guia —, ecoando seu papel como agente na transmutação da matéria. Nesse processo, a cassiterita (𝑆𝑛O₂) é misturada com carvão vegetal (C) e ambos os materiais são aquecidos a 1.300 ºC. A reação química remove o oxigênio da cassiterita, transformando-a em estanho (Sn). Assim, o carvão vegetal torna-se um canal para a criação do estanho: historicamente utilizado como combustível na fundição. Paradoxalmente, o carvão vegetal é agora adicionado como corretivo de solo para restaurar terras após a mineração de estanho, levando-nos a reconhecer o potencial intrínseco de transformação desse material em diferentes estágios do ciclo de vida de um mineral.
Esses objetos tornam-se propostas poéticas nas mãos de Luana Vitra. A pedra cassiterita ancora a obra às origens geológicas de Phuket, na Tailândia, que, sob o capitalismo extrativista, transformam-se em minas de estanho e, após a extração de todos os seus minerais, tornam-se campos de golfe. Ao seu redor, cerâmicas esmaltadas criadas com óxido de estanho, tijolos, carvão vegetal, cassiterita, pó de azul ultramarino e água compõem um ambiente onde a matéria encena a passagem — entre destruição e renovação, química e alquimia, criando um conjunto de obras que atrai nosso olhar para as transformações.
“Birth Calculation” reflete o ambiente que moldou a sensibilidade de Vitra: a cidade industrial de Contagem, cercada por cidades mineradoras no estado de Minas Gerais. Lá, as paisagens monumentais são profundamente marcadas pelos resíduos literais e históricos da extração de ferro, ouro, alumínio, entre outros minerais. Trabalhando com escultura, instalação, desenho e performance, ela negocia entre o tátil e o elegíaco, recorrendo à história e à espiritualidade para oferecer metáforas de sobrevivência, reparação e transmutação.
Essa preocupação com a transformação se estende ao seu tratamento dos materiais, que ela aborda como um meio, uma mídia e um recurso para elaborações metafísicas e políticas. Por meio de gestos como trançar, cortar, soldar e movimentar, ela reconfigura símbolos universais e objetos do cotidiano, instrumentalizando-os como agentes de metamorfose. Por meio desses processos, Vitra propõe uma abstração e uma evocação capazes de metabolizar a biografia e abrir o público tanto para o encontro sensorial quanto para o discurso político.
— Renée Akitelek Mboya
Instalação composta por pedra de cassiterita, carvão vegetal, wagi (pó de ultramarino), ferro, estanho, cerâmicas esmaltadas com óxido de estanho e tijolos
Comissionada pela Bienal da Tailândia, Phuket
2025
Cálculo de Nascimento explora o surgimento do metal — o estanho — por meio da interação química entre o minério de cassiterita e o carvão vegetal durante o processo de fundição. Aqui, o carvão vegetal serve especificamente como uma ferramenta de transição — um filtro e um guia —, ecoando seu papel como agente na transmutação da matéria. Nesse processo, a cassiterita (𝑆𝑛O₂) é misturada com carvão vegetal (C) e ambos os materiais são aquecidos a 1.300 ºC. A reação química remove o oxigênio da cassiterita, transformando-a em estanho (Sn). Assim, o carvão vegetal torna-se um canal para a criação do estanho: historicamente utilizado como combustível na fundição. Paradoxalmente, o carvão vegetal é agora adicionado como corretivo de solo para restaurar terras após a mineração de estanho, levando-nos a reconhecer o potencial intrínseco de transformação desse material em diferentes estágios do ciclo de vida de um mineral.
Esses objetos tornam-se propostas poéticas nas mãos de Luana Vitra. A pedra cassiterita ancora a obra às origens geológicas de Phuket, na Tailândia, que, sob o capitalismo extrativista, transformam-se em minas de estanho e, após a extração de todos os seus minerais, tornam-se campos de golfe. Ao seu redor, cerâmicas esmaltadas criadas com óxido de estanho, tijolos, carvão vegetal, cassiterita, pó de azul ultramarino e água compõem um ambiente onde a matéria encena a passagem — entre destruição e renovação, química e alquimia, criando um conjunto de obras que atrai nosso olhar para as transformações.
“Birth Calculation” reflete o ambiente que moldou a sensibilidade de Vitra: a cidade industrial de Contagem, cercada por cidades mineradoras no estado de Minas Gerais. Lá, as paisagens monumentais são profundamente marcadas pelos resíduos literais e históricos da extração de ferro, ouro, alumínio, entre outros minerais. Trabalhando com escultura, instalação, desenho e performance, ela negocia entre o tátil e o elegíaco, recorrendo à história e à espiritualidade para oferecer metáforas de sobrevivência, reparação e transmutação.
Essa preocupação com a transformação se estende ao seu tratamento dos materiais, que ela aborda como um meio, uma mídia e um recurso para elaborações metafísicas e políticas. Por meio de gestos como trançar, cortar, soldar e movimentar, ela reconfigura símbolos universais e objetos do cotidiano, instrumentalizando-os como agentes de metamorfose. Por meio desses processos, Vitra propõe uma abstração e uma evocação capazes de metabolizar a biografia e abrir o público tanto para o encontro sensorial quanto para o discurso político.
— Renée Akitelek Mboya